Como
preparar seu passáro para torneios de fibra
Começa-se levando o bicho para duetar de longe com pássaros
de algum amigo. É preciso chegar devagar a uma distância
onde seu pupilo ouça o canto do outro, bem de longe. Vá então
se aproximando aos poucos, observando o comportamento do aluno. Se ele
começar a cantar ou estiver dando quem-quem, pode-se chegar mais
perto, até à distância mínima de uns dez metros.
Pendure-o nesse local e deixe-o cantar à vontade, no máximo
por uma hora.
Em outros
dias repita esse procedimento algumas vezes e vá diminuindo
a distância para até uns cinco metros no mínimo.
Varie de parceiro. Visite outros passarinheiros que estejam dispostos
a colocar seus pássaros para fazer dueto.
Daí em diante, vá observando a evolução
e o desenvolvimento da ave. É interessante o dueto escondido,
onde os pássaros são colocados bem próximos um do
outro, com uma tábua como separador para que não se vejam.
Esse treinamento não pode exceder nunca o tempo de uma hora. Não
o repita muito, exerça-o, no máximo, umas cinco vezes em
dias diferentes e cuidado para não viciar a ave a cantar somente
escondida da outra.
O bicudo
e o curió apreciam muito dar um passeio com o tratador
segurando a gaiola na palma da mão. Esse passeio deve ser dado
a pé por perto de casa, principalmente na parte da manhã.
Excetuados os dias de muito vento, o passeio pode ser por três
vezes na semana, com a duração de meia hora cada. É um
tipo de exercício que ajuda muito no entrosamento entre o pássaro
e o passarinheiro, os resultados sempre são os mais positivos.
Após o passeio, colocar o pássaro para tomar banho e pendurá-lo
na sua morada após a secagem.
Os bicudos
e curiós têm, também, verdadeira adoração
por avistar os brejos, por isso, é sempre salutar dar um passeio
com eles até esses locais. Normalmente no início do treinamento,
logo após a fase da lustração, é que se encontra
o melhor momento para esse tipo de preparação.
De preferência, deve-se começar levando o pássaro
ao brejo duas vezes por semana, apenas em companhia de sua respectiva
fêmea. Faça uma estaca e coloque-o em um local limpo e alto,
onde aviste toda a cercania. Pendure-o sempre no mesmo lugar. Esconda
a fêmea numa moita de capim, onde o macho escute o piado e não
a veja.
Importante
lembrar que a melhor hora de ir ao brejo é na parte
da manhã, às primeiras horas. Contudo, na parte da tarde,
depois das dezessete horas, também traz bons resultados.
Depois de
estar respondendo bem ao canto de outro macho, já se
poderá levá-lo ao brejo em companhia de outros, esclarecendo
que, nesses casos, não se deve colocá-los muito próximos
e nem durante muito tempo. Uma hora é o espaço ideal de
tempo.
Outra recomendação a ser observada é o cuidado
com cobras e micos que costumam viver em abundância nos brejos,
porque, ao menor descuido, poderão atacar os pássaros e
matá-los.
Assim que
se notar que a ave está totalmente aberta, os passeios
aos brejos devem diminuir para não desgastá-la.
O treino
de roda consiste em acostumar, gradativamente, a cada semana, o pássaro a cantar perto de outro, visando adaptá-lo para
facilitar o desempenho dele nos torneios. Nas primeiras vezes deve-se
colocá-lo mais afastado, para que vá conhecendo o ambiente,
a estaca e sinta-se seguro e confiante. No treino, não o mude
de lugar. Quando for necessário, faça-o com estaca e tudo,
sem pegar na gaiola. No início o treinamento não deve passar
de uma hora.
Se o desempenho
dele estiver satisfatório, podemos ir aproximando-o
dos outros um pouco de cada vez. Assim sendo, escolhido o dia, como teste
final, logo na chegada, a ave poderá ser colocada no meio de dois
pássaros, à distância de 20 cm de cada, como se fosse
em um torneio.
É normal que um pássaro inexperiente queira ficar procurando
briga com o vizinho, mas se ele estiver de vez em quando dando um canto é um
bom sinal. Naturalmente, aos poucos ele vai se desinibindo e começa
a cantar a intervalos mais curtos. Não se deve esquecer que o
pássaro, para enfrentar um treino de roda, tem que estar bem acasalado,
totalmente aberto e muito embalado.
Os passarinheiros
novatos precisam estar preparados para o pior, isto é,
muitas vezes o cuidado dedicado não resulta em sucesso. Apesar
do esforço, o pássaro não corresponde e não
apresentará jamais o desempenho que se esperava dele. Às
vezes as coisas não se acertam. Fazemos tudo o que é melhor
e mais lógico e nada dá certo.
No treinamento
da ave tudo é difícil e tudo pode acontecer.
Por isso, a grande satisfação quando obtemos sucesso. Os
ornitófilos mais experientes sabem perfeitamente que não é fácil
encontrar um craque. O jeito é não desistir e procurar
analisar se houve algum tipo de erro na preparação ou se
o pupilo é que não prestou.
Daí a importância da escolha de aves de boa linhagem genética
para que o erro, por causa da qualidade do pássaro, seja menor.
Outro aspecto importante é saber que não existe perfeição.
Por melhor que seja nossa ave, sempre deverá apresentar uma deficiência.
Precisamos descobrir com o tempo qual é o problema e procurar
contorná-lo.
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